domingo, 23 de outubro de 2011

Kadafi e a misericórdia


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Não se iludam; lembrem-se de que vocês não podem desprezar a Deus e escapar: um homem sempre colherá justamente o produto da semente que ele plantou!, Gálatas 6.7, Bíblia Viva

O ditador líbio Muamar Kadafi pediu misericórdia aos seus captores enquanto era esbofeteado e chutado, estando já ferido em seu esconderijo. Ele ainda alegou que o tratamento que recebia era “proibido”. As imagens gravadas num telefone celular dão a ideia de como foram os instantes que encerraram 40 anos de um regime de opressão.

Os pedidos de misericórdia de Kadafi deveriam ter sido ouvidos. Ele merecia ser julgado por aquilo de que era acusado, como qualquer ser humano que comete excessos. Ainda que ele tenha semeado terror, seus pedidos de Graça, — perdão não-merecido — deveriam ter sido atendidos. Mas seus algozes o executaram enquanto perguntavam se ele sabia o que era “ser proibido”.

O coronel revolucionário não achou misericórdia.

Lamentável e possivelmente porque, igualmente, os infelizes assassinados e jogados em valas comuns durante seu governo não encontraram. O primeiro grande buraco cheio de gente morta foi descoberto em setembro, em Abu Salim, com 1.270 corpos de presos envolvidos numa rebelião. O Terra noticiou no dia 1º de outubro:

Outras três valas comuns com mais de 350 corpos no total foram descobertas na periferia da capital líbia, anunciaram fontes do conselho militar de Trípoli, neste sábado à EFE. A maior das valas, descobertas na noite desta sexta-feira, continha mais de 300 corpos de pessoas mortas após o início da revolta na Líbia, em fevereiro. Os trabalhos de escavação nas outras duas fossas permitiram recuperar um total de 57 corpos.


O ser humano geralmente não exerce, mas clama por misericórdia quando lhe é conveniente. Ainda que esteja sob a mesma condição falível, imagina que é superior ao semelhante fragilizado. Trata o erro dos outros com juízo ferrenho e se esquece da trave que está em seus próprios olhos, Mateus 7.3. Critica até aqueles que estendem a mão a alguém que fracassou, cedeu à oferta do Adversário. Como Hitler, quer eliminar os problemáticos e defeituosos. Paulo faz um alerta:

“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”, 1 Coríntios 10.12

Nossa justiça-trapo-de-imundície (Isaías 64.6) prossegue até o dia em que, como Kadafi, nos vemos vulneráveis, sem poder empinar peito e se vangloriar de não ser “como os demais pecadores”, Lucas 18.11. “Me ajudem, por favor! É errado não ajudar!”. “É proibido fazer isso!”, clamamos em vão.

A grande notícia é que o Senhor não é humano, não pensa ou age como aqueles que um dia perderam a glória de Deus.

O Senhor Deus diz: “Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos, e eu não ajo como vocês. Assim como o céu está muito acima da terra, assim os meus pensamentos e as minhas ações estão muito acima dos seus, Isaías 55.8,9

Receber o favor de um benfeitor falível é interessante. Recentemente o pastor iraniano Yousef Nadarkhani teve suspensa a sentença de morte simplesmente por ser cristão. O ministro do Esporte Orlando Silva, alvo de graves denúncias, execrado e demissionário segundo a mídia, contou com o voto de confiança da presidente Dilma.

Mas poder contar com a Graça de Deus, que tem valor eterno, é muito melhor. Significa que, ainda que nossos opressores nos neguem o direito de viver, a nossa alma estará segura nos braços do Pai.

“Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”, disse Jesus, Mateus 10.28

José San Martín Camiña Neto
Dedico a Deus o que escrevi

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