domingo, 7 de novembro de 2010

Os dinossauros

  _Zihad_Ali_

Os dinossauros, palavra que quer dizer “lagartos terríveis” (do grego deinos, “terrível”; e saurus, “lagarto”), foram chamados assim pela primeira vez, em 1842, pelo anatomista inglês Richard Owen. Esses magníficos animais, vistos pela maioria das pessoas como monstros ferozes e sanguinários, pertenciam apenas a um grupo da grande variedade de seres vivos que habitaram o nosso planeta no passado. Segundo os especialistas os dinossauros eram em sua maioria herbívoros, ou seja, vegetarianos. Que eles existiram é evidente pelo grande número de fósseis e pegadas que a partir de 1824 começaram a ser descobertos em todos os cantos do mundo, inclusive aqui no Brasil. Basta visitar um museu de ciências naturais e constatar que essas criaturas incríveis foram reais. A cada dia surgem novos fósseis e novas espécies são identificadas. Fósseis são restos de animais como ossos, dentes, garras, pele e até ovos que foram “petrificados” ou “imprimidos” na rocha e mais raramente “conservados” dentro de certos materiais como gelo e âmbar em um processo conhecido como fossilização. Até agora os paleontólogos, cientistas que investigam os fósseis, já catalogaram mais de 1500 espécies de dinossauros, das quais 15 foram registradas em solo brasileiro. Na Patagônia, se encontra o maior cemitério de dinossauros gigantes da América do Sul, onde foi descoberto provavelmente o maior de todos os dinossauros, o argentinossauro, uma espécie herbívora, que media cerca de 35 metros de comprimento, 15 metros de altura e pesava em torno de 100 toneladas. Na classificação desses animais apenas os terrestres são chamados de dinossauros, sendo os voadores denominados de pterossauros e os aquáticos de plesiossauros. Destes o mais conhecido é o tiranossauro rex, mundialmente famoso no filme Jurassic Park (1993) de Steven Spielberg. Os estúdios de Hollywood através de efeitos especiais cada vez mais convincentes têm recriado o fantástico mundo dos dinossauros fascinando crianças e adultos em todo mundo. Muitas coisas transmitidas nos filmes e documentários, como a cor dos dinossauros e os sons emitidos por eles, são apenas suposições. Na verdade pouco se sabe sobre o ambiente, aparência e comportamento desses animais. Mas nem tudo é ficção, hoje com a utilização de ferramentas mais poderosas para analisar os fósseis como microscópios eletrônicos, aparelhos de tomografia e avançados programas de computador, vários detalhes sobre a anatomia dessas criaturas foram reveladas. Contudo, muitas dúvidas, como se os dinossauros eram animais de sangue frio ou de sangue quente, continuam a dividir a opinião dos paleontólogos que buscam continuamente por respostas. Segundo alguns estudiosos os dinossauros não eram nem répteis, no sentido moderno, e nem ancestrais das atuais aves, mas uma superordem distinta e única do reino animal. Numa coisa todos concordam: os dinossauros eram criaturas singulares que viveram no mundo antigo. Tão complexas quanto as espécies que existem hoje.

A extinção dos dinossauros à luz da ciência
O que mais tem intrigado os cientistas é o que provocou o misterioso e repentino desaparecimento dos dinossauros. Alterações climáticas, inversão dos pólos magnéticos, vulcanismo, escassez de alimentos, doenças e a queda de um asteróide ou cometa são as principais causas apontadas, que segundo a maioria dos geólogos e paleontólogos ocorreu a 65 milhões de anos atrás no fim do período Cretáceo. Com a descoberta em 1978 de uma estrutura de múltiplos anéis enterrada na península de Yucatan, no Golfo do México, mais tarde confirmada por imagens de satélite, medindo de 180 a 300 km de extensão e idade estimada também em 65 milhões de anos, que se acredita tenha sido originada pela queda de um corpo celeste; a teoria do impacto passou, desde então, a ser a mais aceita e divulgada para explicar a extinção em massa dos dinossauros. Ela sustenta que os dinossauros foram vítimas dos efeitos devastadores desencadeados pelo violento choque de um bólido de cerca de 10 km de diâmetro que atingiu a superfície do mar a uma velocidade de mais de 70 000 km/h, criando essa imensa cratera. Segundo os cientistas a explosão gerada pela colisão em Yucatan, uma região geologicamente muito rica em enxofre, liberou uma quantidade de energia equivalente a 100 milhões de megatons de TNT; criou uma saraivada de meteoros que incendiaram campos e florestas; produziu mega-tsunamis de 1 quilômetro de altura que varreram todas as regiões litorâneas; desencadeou gigantescos terremotos em todo globo com magnitude superior a 10 pontos na escala Richter; alterou o eixo de rotação da terra; causou erupções vulcânicas em série que despejaram quantidades descomunais de lava e gases tóxicos; provocou chuvas ácidas que contaminaram os mares; lançou na atmosfera mais de 1 quatrilhão de toneladas de vapor d’água, poeira, enxofre, partículas de carboneto e fuligem formando uma densa e escura nuvem que encobriu o planeta e bloqueou a luz do Sol por anos. Em resumo, a terra foi sacudida pelo impacto, queimada pelo fogo, varrida pela água e lançada nas trevas. As crateras de impacto conhecidas na terra e as inúmeras observadas na superfície da Lua são cicatrizes que testemunham a queda desses corpos celestes. No entanto, nunca um evento cósmico dessa natureza tinha sido visto pelos cientistas, até que em 1994 o telescópio espacial Hubble flagrou a colisão de vários fragmentos de um cometa em Júpiter, demonstrando pela primeira vez a possibilidade de um objeto vindo do espaço se chocar com um planeta. Algo semelhante é descrito no livro do Apocalipse (Ap 8.7-12; 16.18-21). Se um evento dessa natureza realmente aconteceu na terra provavelmente nenhuma planta ou animal escapou de tamanha destruição. É por essa razão que os evolucionistas precisam acreditar que algumas espécies sobreviveram para originarem as que existem hoje pelo lento, gradual e aleatório processo da seleção natural. No entanto, para a decepção dos darwinistas nunca foi encontrado um único fóssil de transição que demonstre que as espécies atuais descendem das espécies do passado. Para justificarem a ausência desses animais intermediários, os evolucionistas agora acreditam que a cada extinção em massa a evolução ocorre em saltos repentinos. Como sempre quando as evidências e fatos desmentem a crença mitológica na evolução, seus adeptos procuram remendar sua teoria. Na verdade não querem admitir que o registro fóssil comprova apenas uma coisa que as espécies são fixas e que, portanto, não evoluíram uma das outras. Como criacionistas rejeitamos totalmente os falsos postulados da teoria da evolução e da cosmovisão naturalista (I Tm 6.20,21), mas aceitamos o fato que os dinossauros existiram e foram possivelmente extintos por uma catástrofe de proporções globais como demonstra os registros geológico e fóssil espalhados pelo planeta.

Os dinossauros na Bíblia
Muitos querem saber se na Bíblia há menção a essas criaturas e ao seu desaparecimento? No livro de Jó, encontramos nos capítulos 40 e 41 a descrição de dois animais extraordinários, um terrestre e outro aquático, chamados de beemote (do hebraico Behemoth, “grande besta”) e leviatã (Heb. Liwyathan, “monstro marinho”), que em algumas traduções substituem esses nomes por hipopótamo e crocodilo. Não há duvida que o beemote e o leviatã pelas características enumeradas nessas passagens os diferem de qualquer criatura que conhecemos na atualidade. Um animal onde seus ossos são comparados a tubos de bronze, sua cauda como a árvore de cedro e que fazia transbordar um rio com certeza não era um hipopótamo ou elefante (Jó 40.15-24). E muito menos uma criatura que era revestida de uma couraça impenetrável, que expelia fogo de sua boca e fumaça de suas narinas jamais poderia ser um crocodilo comum ou baleia (Jó 41.15-21). Assim como ocorre em Isaías 14.12-15 e Ezequiel 28.13-18 que descrevem a soberba e queda de dois monarcas e simultaneamente revelam a história de Lúcifer, essas passagens podem também estar descrevendo a anatomia e comportamento de animais do presente e ao mesmo tempo estar revelando duas grandes espécies de criaturas que viveram no passado. O beemote provavelmente pertencia ao grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros que tinham longos pescoços e caudas, os maiores que já existiram; como o gigante argentinossauro, o bronquiossauro e o mais conhecido de todos o brontossauro que media 25 metros de comprimento, 10 metros de altura e pesava em torno de 35 toneladas. Já o leviatã poderia ser um tipo de plesiossauro, grandes animais marinhos que povoaram os mares da terra, como o kronossauro; ou um supercroc, supercrocodilo de 12 metros (2 metros só a cabeça) e de 10 toneladas que habitou o norte da áfrica; ambos contemporâneos dos dinossauros. Alguns crêem que o leviatã era um tipo de serpente ou dragão marinho, uma espécie ainda desconhecida pela ciência (cf. Is 27.1). É possível que o leviatã tenha sido a único monstro “pré-histórico” a ter escapado das catástrofes que destruíram o mundo antigo, chegando a ser contemplado pelo homem (cf. Sl 104.25,26), mas que posteriormente foi extinto (cf. Sl 74.13,14). Curiosamente a baleia azul, um mamífero marinho que chega a ter 33 metros de comprimento e 180 toneladas, é na verdade a maior criatura de todos os tempos, exatamente como diz as Escrituras (Gn 1.21). Infelizmente esse gigante dos mares está na lista de animais ameaçados de extinção desde 1960, e corre o risco ter o mesmo fim dos dinossauros.

A extinção dos dinossauros à luz da teologia
Quanto a época em que os dinossauros foram criados e extintos e como isso se encaixa na historia da criação narrada nos capítulos iniciais de Gêneses, os teólogos tem nos sugerido algumas explicações. Dentre elas duas se destacam por sua consistência teológica e por interpretarem literalmente os seis dias da criação. Uma considera homens e dinossauros contemporâneos e outra que pertenceram a criações diferentes.

• A primeira explicação, fortemente defendida pelo Institute for Creation Research (“Instituto para a Pesquisa da Criação”) e pela maioria dos criacionistas fundamentalistas americanos, ensina que a terra é jovem (Ex 20.11), tendo entre 6000 a 10000 anos conforme as genealogias de Gênesis; que os dinossauros foram criados no quinto e sexto dia juntamente com as atuais espécies de animais (Gn 1.20-25); que viveram na mesma época do homem, sem necessariamente terem convivido juntos no mesmo habitat; que pereceram “antes” do dilúvio pelos efeitos da queda do homem ou “no” dilúvio por não terem entrado na arca (Gn 6.7, 17; 7.21-24; cf. II Pe 3.5,6); e que o resto de seus corpos encontrados atualmente foram fossilizados rapidamente pelos sedimentos que os soterraram no dilúvio. Os que crêem que os dinossauros morreram afogados no dilúvio entendem que os aquáticos (plesiossauros) não sobreviveram por muito tempo porque não se adaptaram as novas condições geológicas e climáticas do planeta.

• A segunda explicação, conhecida teologicamente como Teoria da Lacuna ou do Grande Intervalo, foi difundida pela Bíblia de Estudo Scofield. Ela admite as eras geológicas e a teoria do impacto, mas rejeita totalmente a teoria da evolução. De acordo com essa posição a terra é consideravelmente antiga (cf. Gn 49.26; Hb 3.6); os dinossauros pertenceram a uma era pré-adâmica, compreendida entre Gênesis 1.1 e Gênesis 1.2; e foram extintos por um cataclismo de natureza cósmica associado a queda de Lúcifer. Em resumo, essa interpretação da narrativa da criação entende que o primeiro versículo de Gênesis se refere a terra original, da qual faziam parte os anjos e dinossauros (cf. Jó 38.4-7; Is 45.18); que o segundo versículo retrata a terra caótica, condição em que ficou após ser devastada pelo juízo divino contra a rebelião dos anjos caídos (cf. Is 14.12-15; Ez 28.13-18; Ap 12.3,4), onde todas as formas de vida que habitavam o planeta pereceram (cf. Jr 4.23; Ez 32.7,8,13,15); e que o versículo três em diante descreve a terra reorganizada nos seis dias da criação, restaurada do caos e repovoada pelas atuais espécies e pelo homem (Gn 1.31; 2.1).

Há ainda outras interpretações que, por alegorizarem o texto de Gênesis e acomodarem as idéias evolucionistas, devem ser descartadas. Mas independentemente da posição teológica adotada, a palavra de Deus nos adverte a não ultrapassar os limites da revelação bíblica (cf. Dt 29.29; I Co 4.6). Que tenhamos prudência e bom senso ao analisarmos temas como esse, sempre começando pelo sólido fundamento das Escrituras, sem, contudo, desprezarmos os verdadeiros fatos históricos e científicos. Portanto, antes de recorrermos a ciência e as evidências a favor da criação, devemos compreender pela fé que todas as coisas foram criadas pelo poder da palavra de Deus (cf. Hb 11.3 / Ne 9.6; Sl 33.6,9; Is 45.12; 48.13; At 4.24). Que cada salvo adore e proclame os atos poderosos do Criador entoando o hino celestial.

Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas, Apocalipse 4.11

Zihad Ali
Pós-graduado e professor de Física, pesquisador de diversas áreas, teólogo, ministro evangélico

Por favor, reproduza nossos conteúdos à vontade, mas dê os devidos créditos ao autor e ao blog http://www.josesanmartin.com.br/. Comente no espaço abaixo ou entre contato conosco pelo e-mail: josesanmartincaminaneto@gmail.com - Deus o(a) abençoe!

2 comentários:

Josiel Dias disse...

Olá meus queridos irmãos, Graça e Paz.

Como é maravilhoso encontrarmos textos que nos fortaleça na fé, não é mesmo? Parabéns pelo maravilhoso trabalho, muito edificante.
Vivemos dias de tribulações e esfriamento na fé, e muitas heresias onde muitos estão se alimentando de alimentos não sólidos e contaminados sendo assim adoecem espiritualmente se não tratados morrem na fé. Nestes últimos dias tem Deus levantado, homens e mulheres com compromissos de divulgar a palavra de Deus em tempo ou fora de Tempo “Gloria a Deus” . Trazendo mensagens edificantes aos nossos corações. Como sempre tenho dito: Aprendendo uns com os outros crescemos na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Gostaria de aproveitar a oportunidade e compartilhar o nosso “blog”:Gostaríamos muito de contar com sua visita e comentários. Deus te abençoe ricamente.

“Mensagem Edificante para Alma”
http://josiel-dias.blogspot.com/


Josiel Dias
Cons. Missionário
Congregacional
Rio de Janeiro

riquezablogspot.com disse...

Caro irmão,
Sua explanação é bíblica, objetiva e clara.
Parabéns.
Em breve postarei em meu blog, conforme sua prévia autorização.
Em Cristo,
Dionardo
http://badoconhecimento.blogspot.com